Primeiro Ato:

 

Piloto

 

 

 

The Poet And The Pendulum – Nightwish (http://www.youtube.com/watch?v=wHZP9P7tNjA ) começa a tocar ao fundo. 

 

Um céu estrelado, uma noite sem nuvens surge. A câmera mostra uma boa parte do céu, e logo o narrador começa:

 

 

Narrador:Já era bem tarde, a neve caia sem parar lá fora, e a escuridão daquele lugar me dava arrepios todas as noites, o chão era gelado, tínhamos que usar algumas peças de roupa para cobrir o chão, assim ficava menos insuportável deitar ali, a caverna era estreita, as paredes ficavam bem próximas de onde estávamos, eu preferia assim, apesar de ser um pouco mais gelado, cavernas muito grandes costumavam ter muitas surpresas, todas elas muito desagradáveis, é difícil ter um lugar desses para chamar de lar.” 

 

 

A câmera vai se aproximando lentamente da entrada, o chão fora da caverna é coberto de neve, as folhas das poucas arvores se mechem com o vento, derrubando a neve. Dentro da caverna, um grupo de vinte pessoas estão sentados em volta de uma minuscula fogueira, todos tremem bastante, e estão grudados uns nos outros. A imagem mostra um senhor em foco ( Iam McKellen), uma grande barba, tremendo de frio, mas com um leve sorriso no rosto, depois uma bela jovem com grandes cabelos castanhos e encaracolados e olhos bem azuis ( Evangeline Lilly) encolhida ao lado de um outro jovem, Dante( Crhistian Bale), a expressão de todos é de uma tristeza profunda.

 

 

Narrador: “Estávamos tão próximos uns dos outros que conseguíamos escutar quando cada um respirava, todos estavam exaustos, eu estava bem cansado, cansado desse inverno que nunca acaba, cansado das minhas mãos estarem sempre tremendo, cansado. Eu, e outras vinte pessoas que estavam ali. Éramos como uma família, depois de tanto tempo, era como se os conhecesse desde que nasceram, afinal de contas, já os vi nascerem e renascerem diversas vezes nessa viagem, nessa eterna viagem. Uma família que compartilhava tudo por igual, a dor, a fome, a tristeza, a saudade de quem se foi... de quem não aguentou, e todas as outras coisas, boas e ruins. A falta que tinham da vida que um dia viveram, e, que jamais teriam de volta.”

 

 

A câmera se dirige a saída da caverna novamente, indo em direção ao céu, que apesar de estar sem nuvens, começava a lançar pequenos flocos de neve no chão.

 

 

 

Narrador: “Eu luto todos os dias para que, no final desses dias, essas vinte pessoas, continuem sendo vinte. Por que, quando uma delas cai, é como se, eu caísse também. É como se cada uma delas fizesse parte do meu corpo agora, cada uma delas, representa um motivo pelo qual levantar no outro dia. Algumas bem mais do que outras, mas, todas são importantes agora que somos tão poucos. Todas as noites nos sentávamos em volta do fogo, ele nos aquecia, e nos unia de alguma forma, parecia que nada ali poderia nos pegar, naquele lugar,aquela caverna parecia ser o único lugar seguro. Talvez fosse a única parte do dia que não tínhamos que nos preocupar com mais nada, a não ser descansar. Naquela noite, não havia comida. Não conseguimos achar nada, a fome fez com que mais um ficasse na neve, fez com que mais um morresse. É estranho pensar que, ele está bem melhor agora, longe desse sofrimento, cada morte é sentida, muito sentida por todos. Mas não vejo solução melhor para tudo isso.” 

 

No céu, alguns seres parecidos com pássaros surgem no céu, alguns uivos são ouvidos ao longe.

 

Corta para dentro da caverna novamente:

 

Narrador: “Na semana anterior éramos vinte e cinco, à um mês atrás éramos sessenta, um ano atrás éramos mais de cem. Dois anos atrás, quando a guerra finalmente teve fim, éramos uma cidade destruída, em um lugar destruído, e, até onde vimos até aqui, num mundo destruído. Não podemos mais ficar em um lugar só, isso custaria nossas vidas. Então continuamos viajando, procurando outros igual a nós. Não encontramos nenhum outro ser humano, desde que começamos a andar por essa terra, desde que a guerra acabou, nossa única batalha é permanecermos vivos.

 

Nós ainda estamos aqui.

Mas sinceramente, não sei por quanto tempo vamos aguentar.

Meu nome é Dante. E essa é a história do mundo... do meu mundo.”

 

 

 

 

Dante

 

 

 

 

A luz do dia! A imagem mostra algumas pessoas sentadas na entrada de uma caverna, alguns conversam. A cena corta para dentro dessa caverna onde estão mais algumas pessoas, num canto da caverna, Dante esta sentado sozinho.

 

 

Dante (narrando): “Estávamos, em uma caverna nos pés daquela montanha, a aproximadamente dois dias. Decidindo, se iriamos atravessá-la, ou não. O problema não era a montanha em si, e sim, o que haveria do outro lado, para onde ela nos levaria. No começo eu alimentava o pensamento de que, se você está completamente perdido, sem um lar, sem segurança, você devia procurar outro lugar por que, não existe como piorar. Mas eu era muito ingênuo naqueles tempos por que... sempre existe uma forma das coisas piorarem. E, ter essa certeza é assustador.

 

 

Ana ( Evangeline Lilly), caminha na direção de Dante com um pequeno copo nas mãos, sorridente .

 

 

Ana: “Bebe um pouco, você não toca na água desde ontem a a noite, já estamos sem comer a um dia, ficar sem beber seria um desastre não é? - Ana da um leve sorriso. 

 

Dante: “ Eu ainda estou bem forte.  Prefiro deixar para aqueles que estão mais fracos, mas muito obrigado mesmo assim. 

 

Ana: “Ok. Mas se precisar, não exite em pedir. - se olham por alguns segundos - Bem, esses são os ultimos goles de agua que temos, acho que vou oferecer aos outros, talvez alguem esteja com sede. - ela sorri para Dante que  retribui em seguida. 

 

 

A câmera viaja para fora da caverna, até um pequeno lago, algumas pessoas recolhem água dele, alguns mais velhos ficam de pé envolta do lago observando, existe neve por todo o campo.

 

 

Dante (narrando): “Nos últimos tempos muitas coisas aconteceram, coisas ruins e coisas boas, sim... coisas boas! Por mais difícil que seja acreditar que algo de bom possa acontecer, as vezes a vida nos surpreende.

Encontramos água. E, no meio de todo esse gelo, isso é algo fantástico, e um tanto quanto impossível. Na verdade quando falei que aconteceram coisas boas, eu exagerei, aconteceu uma coisa boa, mas essa coisa é tão boa que posso falar que vale por todas as pequenas coisas que andaram acontecendo. Encontramos água. Parece ser algo simples mas pode acreditar que não, não é uma coisa simples. No último ano, caminhamos por cima do gelo, e só isso, nada de rios, nada de lagos, não existe nenhum lugar por aqui que não tenha gelo, e não existe um dia por aqui que a neve não pare de cair. O sol? Faz um ano que não o vejo, nem sinal dele, mas sei que ele está lá por que, por mais que algumas noites durem dias, de vez em quando o dia amanhece um pouco mais claro, presumo que seja o sol, presumo que ele ainda brilhe em algum lugar. O inverno chegou a um ano, não vi o fenômeno por estar dentro de uma caverna no momento da neve cair mas, em dois dias, as coisas enlouqueceram completamente, em dois dias o sol desapareceu, e a neve apareceu no lugar, e não foi embora nunca mais. Isso explica minha empolgação pela água, por encontrar água.” 

 

 

A imagem mostra as pessoas pegando água do lago, em pequenos recipientes, e levam até um senhor que pega o pote na mão e fecha os olhos, fica com o pote na mão por alguns segundos e sorridente, entrega para a pessoa que lhe entregou o pote.

 

 

 

Dante(narrando): “O velho Thomas domina uma coisa muito especial e muito útil. Magia, magia de fogo. Eu não sei como mas, ele fecha os olhos, se concentra, estende a mão e... do nada, fogo sai das mãos dele. Mas criar fogo do nada é algo muito difícil para ele ( e para qualquer outro, imagino), em especial quando tudo o que temos em nossa volta é gelo,mas ele é bom no que faz e usa algo como... transformar o calor do corpo em fogo, algo assim, até o final dessa vida vou entender como isso funciona. Com magia, as vezes ele transforma o gelo em água, e isso nos fez não morrer de sede esse ano. Mas essa técnica o esgota, eu sei disso, por mais que ele diga o contrário e queira parecer forte, Thomas não é mais o mesmo de dois anos atrás, na verdade, ninguém mais é o mesmo, mas para ele é mais complicado, ele é o nosso líder, sem ele talvez teríamos enlouquecido nesses dois anos. O fardo que ele carrega é pesado de mais para qualquer um, nesses dois anos, não encontramos mais nenhum ser humano vivo,isso significa que ele cuida dos últimos vinte seres humanos, pelo menos até aqui, nós somos os únicos, e com quase setenta anos, isso se torna mais difícil, ter a vida de tantas pessoas em suas mãos.” 

 

 

A câmera vai se aproximando do rosto de Dante, que fecha os olhos.

 

Dante (narrando): “Na outra parte dessa viagem, existiam muitos perigos, mas nenhum deles é mais letal que o frio. Eu não posso cravar uma espada no peito do frio, não posso matar o frio, não posso proteger ninguém do frio, e apesar dos meus esforços e do esforço de todos os outros, pessoas que eu amava e que jurei proteger se foram, e eu não gostaria de perder mais nenhuma por um bom tempo, por mais inevitável que isso pareça.

Mas, montanhas sempre são complicadas de se atravessar, e, a melhor parte é que, pode ser que tenha muito mais gelo do outro lado dela, ou, pode ser que os campos verdes estejam a nossa espera, digo isso por que, da ultima vez que atravessamos uma montanha, nossa maldita sorte nos trouxe para esse inferno gelado. E por isso estamos aqui, sentados, pensando em silêncio. “Onde essa maldita montanha vai nos levar?”

 

 

A tela fica escura.

LEGENDA: 

1 ano atrás

 

 

 

O cenário é completamente diferente, e enorme! Um belíssimo campo verde, muitas pessoas trabalham, algumas com machados cortando arvores, mulheres cuidando de algumas crianças. Jovens sentados descansando e dando risadas debaixo de algumas arvores.

 

Dante(narrando): “ Da ultima vez que estávamos aos pés de uma montanha, estava fazendo sol, o campo era verde e bonito,um lugar cheio de arvores, eram bonitas de se olhar, folhas bem verdes,talvez conseguíssemos fazer elas terem algum fruto com o tempo, tínhamos deixado um imenso rio a um quilometro do pé daquela montanha, e tínhamos sérias duvidas se deveríamos continuar viagem.

Afinal, não havia motivos para partir. O lugar era lindo, os monstros dali eram pequenos e fracos, e a carne deles não eram de todo o mau, assada claro. Poderíamos recomeçar ali, tínhamos mulheres e crianças, moças e rapazes, um sábio senhor, e sua sábia esposa. Tínhamos soldados, e até cavalos. A esperança de todos reacendeu, todos começaram a pensar que talvez a viagem tivesse terminado, que poderiam reconstruir suas vidas ali. Naqueles dias, parecia que havia um brilho diferente no olhar de cada um, acho que era esperança, só podia ser. Jamais encontraríamos outros humanos mas, esse me parecia um preço pequeno a pagar.”

 

Corta. Noite, grandes fogueiras, a tomada aérea mostra uma boa parte do campo bem iluminada com algumas fogueiras, no centro, uma grande fogueira reuni todas as pessoas em volta dela. 

 

 

Thomas (em pé, diante de todos) : Existe uma montanha que atrapalha nosso caminho. - dizia ele, em voz alta. - Desde que começamos jamais encontramos uma montanha desse tamanho, meus olhos não conseguem ver o largura dela, mal imagino onde seria o fim dessa caverna. Nos reunimos aqui, para votar. Se devemos seguir por essas cavernas, ou, recomeçamos nossas vidas aqui.

 

A câmera viaja entre os presentes que olham uns para os outros, e cochicham entre si.

 

Thomas, com uma voz séria: Não existem mais humanos aqui, se continuarmos aqui, jamais saberemos se restam pessoas iguais a nós. Porém, sabemos o quanto já perdemos nessa viagem, quantos amigos e familiares já morreram durante o caminho. O que a maioria decidir, por mim será feito, sinceramente não sei o que opinar. 

 

 

Uma mulher se levanta, no meio de todos.

 

Mulher: Existe um rio, com água que podemos beber!

 

Um outro homem se levanta também.

 

Homem: Existem algumas criaturas naquele rio, e elas não são venenosas, podemos nos alimentar deles também.

 

Dante apenas observa todos se levantando, e cada um dizia algo quando se levantava.

 

Os monstros aqui são os mais fracos que já encontramos em toda viagem!” dizia outro

A carne deles nem é tão ruim. Assada claro.” disse um mais rechonchudo.

 

Dante se levanta, todo ficam em silêncio, e o observam.

 

 

Dante: A água do rio mata nossa sede , a madeira das arvores constroem nossas casas, temos espadas, homens valentes. - Dante olha para Thomas, e para a senhora que esta sentada ao lado dele – Um sábio senhor, e, sua nobre esposa. Cavalos, mulheres jovens e bonitas, crianças, os monstros passam e fingem que não estamos aqui. Só vamos atrás deles para nos alimentar. - uma pausa – Acho que devemos ficar.

 

Todos começam a saudar Dante, e a concordar com tudo que ele dissera. Thomas apenas consente com a cabeça, e todos começam a se alimentar. A câmera se distancia do acampamento, vai até um local cheio de arvores, o vento ali é bastante forte, as arvores tremem, como se algo dentro daquela imensa floresta quisesse despertar.

 

O dia amanhece. A cena mostra o acampamento bastante movimentado, homens levando madeiras para um lado, outros levando carne para o outro, os dias vão se passando, a câmera apenas mostra o horizonte, o sol se pondo, e lua crescendo no céu.

 

 

Dante(narrando): A primeira semana foi a que começamos a montar o acampamento, tenho a impressão de que foi a mais feliz que passei na minha vida, trabalhávamos muito, cortando madeira, montando cabanas, buscando comida e, todo o resto que uma vila em construção devia fazer. Tudo era muito novo e muito fantástico, estávamos experimentando uma coisa que nem sabíamos que existia, momentos de paz, paz que a muito tínhamos deixado de acreditar ser possível. Sim, era árduo o trabalho o dia todo, mas o clima daquele lugar era muito agradável, de dia o sol brilhava forte, mas o vento também não parava de soprar fazendo com que o calor se tornasse muito agradável. A noite, o vento parava um pouco então, não ficava tão frio. Assim, com todas essas condições favoráveis, aqueles sete dias foram os melhores, trabalhamos muito durante o dia, e um pouco antes do sol se pôr, nos sentávamos com nossos amigos, ou seja lá com quem fosse, afinal, começamos a fazer novas amizades, sem ter que se preocupar o dia todo com quem viria nos matar, sobrava tempo para essas coisas. E passávamos as noites conversando, cantando e as vezes alguns dormiam no meio da grama ou encostado em uma arvore, e faziam isso por que, podiam fazer isso. Por que era seguro.

 

Noite. A cena mostra Dante dormindo no meio do gramado, ao lado de uma casa de madeira que esta longe de ser concluída. A câmera viaja pelo gramado, alguns metros a frente, até uma arvore, encostada na arvore, esta uma espada.

 

No horizonte, o sol nasce. E se põe. A noite é estrelada, a câmera mostra alguns jovens sentados a beira de uma arvore, gargalhando alto e cantavam bastante também. Se percebe que o acampamento estava bem animado aquela noite, crianças brincam debaixo do céu estrelado,

 

Jovem: Aquilo foi ótimo, a pedra pegou bem na cabeça dele! - ele ria bastante.

Dante: Como é que não me lembro disso? - dizia Dante bem humorado. 

 

Thomas e sua esposa estavam sentados a beira de uma fogueira conversando e sorrindo, vez por outra ele acariciava o rosto dela. Em outra parte do acampamento, Ana e algumas moças conversam também. A câmera foca no sorridente rosto de Ana, que de sorridente muda para um assustado instantaneamente.

A vista aérea mostra todas as tochas do acampamento se apagando de uma só vez! Todos correm em direção ao que outrora foi a maior fogueira de todas. Dante está na linha de frente junto com outros homens que já estavam com as espadas em mãos, Dante esta desarmado.

 

Homem na linha de frente: Mas que diabos é isso?

 

Uma forte ventania atinge a todos, a câmera viaja até o céu, o céu estrelado a alguns minutos agora é coberto por nuvens, raios iluminam o lugar a cada segundo, trovoes fazem a trilha sonora.

 

Thomas: “ Fiquem juntos! - gritava ele.

 

As arvores ao longe começavam a tremer, a chuva começava a cair, em segundos era uma tempestade. Dante tem a expressão séria, e os olhos fixos nas arvores que chacoalhavam cada vez mais.

 

Silêncio, a câmera foca no rosto de Dante, ouve-se apenas as batidas de seu coração, cada vez mais aceleradas.

 

De volta a floresta.

Silêncio.

Uma estrondo vem do meio das arvores, e uma sombra absolutamente gigante sai de dentro dela, e direção aos céus. Pessoas não conseguem manter os pés no chão e voam metros para trás. Dante olha assustado para todas as direções, assim como todos os outros. Logo tudo fica escuro novamente, todos olham para cima e veem... a sombra que saíra da arvore estava sobre as cabeças deles. Era imenso! Ele tinha duas asas, enormes mas que não tinham o tamanho de seu corpo, eram menores, e iam até os joelhos dele, tinha pernas e braços, bastante proporcional ao corpo, sua cauda era enorme, e na ponta dela parecia existir um redemoinho girando sem parar. Seus olhos eram verdes, bem claros, seus dentes pareciam bem afiados, e todas vez que ele respirava, pequenos redemoinhos, era tão grande que de onde Dante estava, não era mais possível ver o céu.

 

Thomas: Céus! - estava incrédulo – Não há como escapar de um monstro desse tamanho!

 

Ouviu-se um barulho vindo do monstro quando Thomas pronunciou a palavra monstro.

 

    Dan( Jake Gyllenhaal): “Ele não deve gostar de ser xingado dessas coisas Thomas, cuidado! - gritou Dan, do outro lado.”

 

O chão começou a tremer, voltaram os olhos para o monstro que estava acima deles mas ele não havia saído do lugar, então todos se viraram para a floresta. A câmera foca nas arvores, que tremem bastante. A câmera lenta entra em ação. Dante corre em direção a arvore onde encontra sua espada, monstros começam a sair de dentro da floresta, muitos monstros.

 

Ties That Bind – Alter Bridge (http://www.youtube.com/watch?v=ZEjM_wF1VBA) começa a tocar ao fundo.

 

Tinham quatro patas, pelos, eram bem altos, seus dentes escapavam de suas bocas, de tão grandes. Todos os homens sacaram suas espadas e se distanciaram do resto das pessoas, Dante corria de volta para onde todos estavam, os monstros agora estavam a poucos metros, um segundo de silêncio.

 

A canção chega em seu refrão. Vinte homens contra mais de cinquenta daqueles monstros que sairam da floresta.

 

Dante: Corra! Para as cavernas! - gritava ele para as mulheres e crianças, e alguns soldados também.

 

Dante cortava um com sua espada e outro corria em sua direção, não olhava para os lados e não diminuía a marcha...nunca! Ao lado dele um monstro pulava nas costas de um guerreiro que caia agonizante enquanto o monstro arrancava-lhe a pele das costas com uma mordida, do outro lado, Thomas arrancava as duas patas dianteiras de um que pulava em sua direção. Muitos outros saiam da floresta mas passava direto pela batalha indo em direção aos que estavam fugindo. Ninguém podia fazer nada para ajudar. A chuva ainda caia forte, após abater um, Dante para, e olha em sua volta. A destruição era total, ele respirava com dificuldade, mas não tinha nenhum arranhão. Olhou para trás, mas todos já estavam bem longe, na direção da montanha. Quatro homens estavam de pé ao lado dele. Um estava com a cabeça sangrando, e mal conseguia ficar em pé, o outro usava uma espada quebrada como arma e seu braço esquerdo faltava a mão. Thomas estava com os olhos fechados e concentrado tentando formar fogo em suas mãos mas, a água da chuva era implacável. Dante olhou para os corpos em volta.

 

Dante: Estavam todos cantando comigo a alguns minutos, e agora...desfigurados. Como pode? Como isso foi acontecer... - Dante olhou para cima de novo, o gigante continuava imóvel. Depois olhou para trás, na direção dos que fugiram, e fechou os olhos, por que era possível ver alguns corpos pelo caminho.

 

A câmera mostra os monstros que haviam restado, oito no total, a câmera se aproxima do rosto de um deles, os olhos vermelhos parecem furiosos. A câmera se distancia do combate mantendo uma visão aérea da batalha, muitos corpos espalhados pelo caminho, cinco homens contra oito monstros.

 

Dante, e todos os outros cerram seus punhos segurando a espada. Dante, Thomas e mais três homens, todos com expressões de ódio em seus rostos.

 

Os monstros saltavam numa velocidade incrível para cima dos homens. A câmera lenta mostra Dante se esquivando de um, mas outros dois caem atrás dele, um dos monstros usa a pata para arranhar-lhe a perna, um ferimento leve, Dante não faz nenhuma expressão de dor. Três dos monstros estavam parados olhando para ele, um mais apressado salta com os dentes amostra para cima de Dante, que desvia, e com a espada rasga a boca do monstro que cai morto. Dois sobraram, encaram Dante por alguns segundo e investiram contra ele em seguida, um pulou em cima, em direção a cabeça, Dante com um golpe o deteve, mas o outro golpeou as pernas dele que acabou que caindo, a espada de Dante voou para o outro lado, ele tentou se arrastar para se livrar do monstro que estava em seu encalço, mas foi surpreendido quando o cachorro demoníaco pulou e o prendeu com as quatro patas em cima de Dante. Rosnou por um segundo e logo abriu a boca para engolir a cabeça de Dante que nada pôde fazer a não ser fechar os olhos.

 

Tela preta, um barulho de algo cortante atravessando a pele.

 

A espada de Thomas estava cravada no crânio do cachorro. Dante abriu os olhos, a chuva ainda era intensa, olhou em volta, apenas Thomas e ele estava vivo. Se levantou e sorriu para Thomas que retribuiu o sorriso. Mas logo arregalou os olhos.

 

A câmera fica lenta, atrás de Thomas um monstro avança ferozmente, Dante corre até sua espada, empunha ela. O monstro pula em direção a Thomas que se vira assustado, Dante vendo que não poderia correr até eles... arremessa a espada. Câmera mais lenta ainda... a espada viaja alguns metro girando, mas chega até seu destino, os olhos do monstro que voa para trás, se contorce um pouco, mas morre.

 

A musica para. Dante se ajoelha, ameaça chorar, mas não o faz. Apenas olha em volta.

 

Dante(narrando): Meu coração pesou ao saber que cada segundo que perdia ali ajoelhado, era precioso demais, as pessoas que foram para as montanhas deviam estar em perigo, seja lá quantas haviam sobrado. Eu precisava tentar salvá-las, queria correr, queria voar na verdade mas minhas pernas não respondiam.

 

Dante se levanta e começa a carregar Thomas que tem alguns ferimentos pelo corpo. 

 

Forgiven – Within Temptation (http://www.youtube.com/watch?v=rBHWZNcU06w) começa a tocar ao fundo.

 

Dante e Thomas caminham por entre todos aqueles corpos, monstros caídos pelo chão. Homens, mulheres e crianças também, parecia matar um pouco mais aqueles dois a cada passo, a chuva não parava, nem por um minuto. Dante olhou para trás, o gigante havia desaparecido, silenciosamente.

 

Já era possível ver a entrada da caverna, mas os dois pararam. A câmera foca o rosto de Dante que parece não acreditar no que vê, Thomas ao seu lado não percebe de imediato mas observa também. Encontra forças de algum lugar e corre em direção ao corpo que estava caído próximo a entrada da caverna. 

 

Thomas: Por favor, não! Ela não, ela... não. -as lagrimas caíam do rosto de Thomas, muitas lagrimas. Dante fechou os olhos, parecia com dor. Mas permaneceu de pé, guardando o amigo que chorava a morte de sua amada.

 

Thomas permaneceu por algum tempo agarrado a sua esposa, mas depois abriu os olhos, olhou para Dante.

 

 

Thomas: Mê dê sua espada, por favor.

 

Dante não exitou e entregou a espada, Thomas a observou por alguns instantes, se levantou e começou a cavar, a chuva não parava, Dante não ousou tentar ajudar. Thomas não parecia querer ajuda. O silêncio reinava.

Quando finalmente terminou de cavar, se virou para Dante. 

 

Thomas: Dante, poderia me ajudar a colocar minha esposa dentro dessa sepultura? - a tristeza em suas palavras era tanta. As lagrimas não paravam de cair de seus olhos, por mais que ele tentasse ser forte, parecia ser algo impossível. Dante se levantou e ajudou a carregar a esposa de Thomas.

 

Dante: Ao lugar que ele não deveria estar.

 

Depois disso,Dante retirou sua camisa e cobriu o rosto e uma parte do corpo daquela senhora. E depois disso, com as mãos, os dois começaram a enterrá-la, enterram lentamente, com muito pesar, e quando finalmente terminaram Thomas se levantou, pegou a espada e cravou na terra, na lama. A chuva finalmente parou, aos pouco as nuvens começaram a se dissipar.

 

Thomas: Eu jamais pensei que esse dia chegaria Dante. Mesmo passando por essa vida tão difícil, e tão perigosa, jamais imaginei que ela me deixaria. É estranho pensar que, eu não tive tempo de dizer adeus a ela, durante todo esse tempo, eu enterrei muitos amigos, consegui dar adeus a muitos amigos Dante... mas, não consegui ouvir as ultimas palavras daquela que mais importava na minha vida. E como isso é difícil meu amigo, como é difícil saber que e perdi aquela que me dava forças pra continuar nesse mundo.

 

Dante: Thomas, você se lembra quando Alex morreu?

Thomas,(estranhando a pergunta): Me lembro sim dante, por que?

Dante: Ele era meu melhor amigo, foi bem no começo não foi? Bem no começo da viagem, logo quando a guerra acabou. Nem imaginávamos como esse novo mundo funcionava. Não imaginávamos quantos ainda perderíamos, e, a morte dele foi triste, muito triste por que, foi a primeira que aconteceu na minha frente, e foi bem o meu melhor amigo.

Thomas: Ainda não entendi, aonde que chegar com isso...

Dante: Naquele dia, me sentei e chorei por muitas horas, me isolei de todos, afinal, havia perdido meu amigo, a única pessoa no mundo que podia chamar de amigo naquela época. Mas, uma nobre senhora, foi a única a sentar ao meu lado naquele dia, e ficou em silêncio ao meu lado, apenas me ouvindo chorar, com paciência. Eu demorei muito para poder olhar para algum lugar que não fosse o chão, muitas horas. Mas ela continuou ali, do meu lado. Por que, quando eu finalmente levantei minha cabeça, ela estava lá e, me falou que, no outro dia, mesmo sem eu acreditar... o mundo seguiria em frente. E que, quando aquela noite acabasse, o sol nasceria, mesmo eu me sentindo perdido, mesmo minha esperança tendo acabado, o mundo seguiria em frente. Eu fiquei muito bravo, ela não precisava me dizer aquilo. Mas antes que eu pudesse brigar com ela de alguma forma, ela me perguntou: “Dante, como o mundo pode continuar? Como o mundo pode simplesmente seguir em frente, quando alguém está sentindo tanta dor quanto você está nesse momento? Eu também acho injusto, por isso acho que você pode chorar o quanto quiser essa noite, mas quando a noite acabar minha criança... dê adeus ao Alex deixe-o ir, por que, alguns fantasmas precisam ficar para trás, e só assim poderemos seguir em frente.” Depois disso, ela me deixou sozinho de novo, e, por algum tempo, meu mundo continuou a desabar, por algumas horas, meu coração continuou a sangrar com a morte de meu amigo. Mas, eu ainda estava acordado quando o sol nasceu, e, pensei nas palavras daquela nobre senhora, e percebi que ela estava certa. Que, o sol jamais iria parar de nascer, não importa o quanto eu estivesse machucado. Então, me levantei e, resolvi continuar Thomas, era o único jeito.- Cheguei perto de minha espada e olhei pela ultima vez aqueles campos – É a ultima vez que verei essa paisagem Thomas, além dessas montanhas deve existir algo bom para todos aqueles que sobreviveram, entre eles, estão eu, e você velho amigo. Então por essa noite, você pode se lamentar, e se precisar de mim, estarei aqui. Mas, quando o sol nascer, se você ainda quiser, temos uma montanha enorme pra atravessar pela manha...

Thomas: Sabe Dante, eu gostaria de poder orar por ela sabia, gostaria de poder guiá-la até um lugar seguro além dessa vida.

Dante: Mas foram os Deuses que fizeram isso com ela Thomas, foram eles que destruíram tudo o que eu conhecia.

Thomas: Não acredito que aqueles fossem deuses de verdade, acredito em algo mais que aquilo Dante.

Dante: Como acreditar em alguma coisa maior do que aquele que nos criou? E depois nos destruiu? E depois se destruiu? Como um Deus pôde Thomas... eu ainda não consigo acreditar.

Thomas: É, algumas coisas levam uma vida toda para se entender, essa com certeza não é ma delas não é?

Dante: É, essa deve levar cerca de, oito vidas.

 

Dante se levantou, e foi até a espada cravada na terra. Parou e olhou para todo o caminho que haviam percorrido, Dante olhou para Thomas que continuava imóvel.

 

Dante: Enquanto vivermos, jamais passaremos por essa espada amigo. Dê adeus a esse lugar Thomas.

Thomas (olhando para o céu): É um belo lugar não é?

Dante: Toda a beleza dele se foi Thomas, junto com sua amada, não importa o que estiver do outro lado, eu não vou ultrapassar essa espada, jamais. Eu prometo a você velho amigo.

 

Thomas se dirigiu ao tumulo de sua mulher, Dante adentrou na caverna, no fundo o sol começava a nascer. Dante deu uma olhada antes de entrar na caverna, foi a última desde então.

 

 

A tela fica escura.

LEGENDA: Tempos Atuais

 

 

Thomas se senta ao lado de Dante.

 

Thomas: Perdido em seus pensamentos?

Dante: É, bastante perdido. - Dante dá um sorriso a Thomas – Mas não tenho mais duvidas velho amigo.

Thomas: Sobre quais duvidas você se refere Dante?

Dante: Atravessar essa montanha, ou não atravessar, olhe pra trás, e, veja o quanto isso é óbvio, pra onde mais iremos? Ficar nesse gelo, o resto das nossas vidas?

Thomas: Muitos aqui estão envelhecendo Dante, eu por exemplo, tenho quase setenta anos amigo, sei que todos estamos esgotados mas, para alguns, isso é muito mais pesado do que para outros. - Thomas aponta para uma mulher, do outro lado da caverna. Ela tem uma aparencia bastante deficiente, tossia bastante, e era um pouco corcunda também, estava coberta por muitas roupas. - Mesmo eu tendo quase setenta anos, ainda acho que minha situação é melhor do que a de muitos aqui. Veja, você acha que ela vai aguentar essa subida? Eu acho que não. No minimo perderemos mais um nessa travessia, e sabemos como é doloroso a morte nesse momento. E você, acha que consegue dar conta de tudo? Só existem três guerreiros, você, Dan e Rafael. Se perdemos vocês, sobram mulheres, e crianças Dante. Quem irás nos proteger?

Dante: Eu sei sobre tudo isso Dante mas, devemos parar por aqui, e esperar o gelo matar um por um?!

Thomas: Você acha que não existe gelo do outro lado?

Dante ( alterado) : Você se lembra a ultima vez? Pareceu um milagre, chegamos ao outro lado da montanha e aqui estávamos, de um lado sol, do outro neve, e gelo. O que nos garante que do outro lado não será diferente?

Thomas: O que nos garante que será? Nós não entendemos esse mudo como entendiamos o outro Dante, esse mundo não é o mesmo, a guerra acabou, e aquele mundo acabou junto com ela, agora é tudo muito diferente, tudo aquilo que vivi, morreu a partir do momento que os deuses caíram.

Dante: Eu apenas entendo que, faz um ano que ando por cima dessa neve, que não parou de nevar nem por uma dia, em um ano. Que quase todos morreram não pelos monstros desse lugar, mas pela neve, pelo frio. Um ano, e me parece que nosso corpo não se acostumou por que, me parece ficar cada dia mais frio. E cada dia nós vamos morrendo um pouco mais por dentro por que, não temos mais esperança, e esse lugar acaba com toda a esperança que poderíamos ter. - Dante estava bastante alterado, quase gritava. Outra pessoas da caverna começaram a olhar para ele.

 

Thomas se levantou e foi até o centro da caverna, chamou a todos que rapidamente se aproximaram.

 

Thomas: Todos vocês sabem que, essa caverna, se encontra no pé de uma grande montanha, todos sabemos que, não podemos dar a volta na montanha, por ela ser enorme. O modo mais rápido, de passar por ela seria... por dentro,como já fizemos uma vez. Nesses dois dias, Dante, Ana e Rafael foram as cavernas que ficam no interior da montanha. Existem muitas cavernas, muitos caminhos por dentro dessa montanha.“Isso quer dizer que, provavelmente, se formos por dentro dessas cavernas, poderemos chegar a o outro lado da montanha. E quem sabe, a um novo lugar como aconteceu da outra vez, sem neve, sem todo esse gelo. Por outro lado, eles constaram a existência de monstros dentro dessas cavernas, monstros que nós ainda não conhecemos, não sabemos...quais perigos enfrentar lá dentro, não sabemos se todos, sairão da forma como entraram, ou...quantos dias vamos ficar lá dentro. Ou se existe água lá dentro. Em resumo, corremos grandes riscos entrando nessa caverna, porém, os que conseguirem sair dela, talvez tenham uma nova vida, por que não sabemos o que existe do outro lado. Eu não sei o que fazer então, chamei todos vocês, para votarem, e decidirem, o que acham melhor. - Thomas olhou com pesar para todos na caverna- Todos aqueles que acharem que devemos partir, levantem seus braços.

 

12 Stones - Tomorrow Comes Today (http://www.youtube.com/watch?v=WoXRDeZe7kQ) começa a tocar ao fundo, baixinho.

 

Thomas foi o primeiro a levantar o braço, seguido por todos os outros, Ana dá um passo a frente.

Ana: Todos queremos uma nova vida Thomas, todos queremos que o senhor descanse também. Se tivermos que morrer em busca disso, será uma morte justa. E com certeza bem melhor do que viver dessa forma.

 

Todos sorriram, a musica aumenta ao fundo.

 

A tela escurece lentamente, os créditos começam a subir.

Continua...